sábado, 2 de abril de 2011

QUEM FOI MESTRE BIMBA

Não podemos falar da Capoeira Regional ou Luta Regional Baiana sem falar em Mestre Bimba, seu criador.
Acreditando que a capoeira que praticava estava perdendo sua essência de luta, Mestre Bimba misturou seus elementos com o Batuque, luta do recôncavo baiano, na qual seu pai era campeão e que utilizava violentos golpes de perna com o objetivo de derrubar o adversário.Em 1932, Mestre Bimba fundou a primeira academia especializada no ensino da capoeira. Localizada no Engenho Velho de Brotas, bairro pobre onde ele nasceu. Ensinava também em residências. Sua fama cresceu e cinco anos depois ele obtinha o registro de professor de educação física. O Centro de Cultura Física Regional, aberto em 1937, foi à primeira academia de capoeira do Brasil e recebeu este nome, pois, na época, a capoeira ainda era proibida e só poderia ser praticada em recinto fechado, conforme a legalização de Getúlio Vargas.E foi o próprio presidente Getúlio Vargas quem legitimou a capoeira, tirando-a do código penal, dizendo: “A capoeira é o único esporte genuinamente brasileiro”, após apresentação de Mestre Bimba, em 1953, no Palácio da aclamação, em Salvador. Com a Capoeira Regional, nasceram elementos didáticos e simbólicos que influenciaram todos os outros mestres das gerações seguintes.A sua marca ficou registrada em muitas atividades comuns nos dias de hoje, como o batizado e a formatura de capoeira, além das oito seqüências de ensino, seqüências de balões e os toques da Capoeira Regional, onde cada toque corresponde a um tipo de jogo.Mestre Bimba morreu em Goiânia-GO, em 05 de Fevereiro de 1974 e marcou todos os capoeiristas com um exemplo de personalidade e carisma que levantou a capoeira, deixando vários discípulos que continuam seu trabalho até os dias de hoje.

QUEM FOI MESTRE PASTINHA

A Capoeira Angola é um dos traços mais nítidos da influência africana nas tradições folclóricas brasileiras, onde ainda hoje, muitos autores discutem se a sua origem é realmente brasileira ou africana.Dentro da Capoeira Angola, podemos dar destaque a alguns mestres que fizeram escola nesta arte. Entre eles podemos citar os Mestres Pastinha, Waldemar da Liberdade, Canjiquinha, Traíra, Caiçara, Cobrinha Verde, Daniel Noronha, Totonho de Maré e muitos que completariam uma lista imensa, além dos que foram marcados pelo esquecimento.
Porém, dentre todos estes, Mestre Pastinha foi quem teve um maior destaque e, assim como mestre Bimba, fez com a sua Regional, desenvolveu alguns elementos didáticos e simbólicos para a Capoeira Angola.Vicente Ferreira Pastinha foi o Mestre do Centro Esportivo de Capoeira Angola, fundado em 1942, de onde surgiram grandes nomes da capoeira como os Mestres João Grande e João Pequeno. Os dois são a maior referência da Capoeira Angola nos dias atuais, sendo Mestre João Pequeno, o mestre mais velho em atividade no país.Mestre Pastinha nasceu em 05 de Abril de 1889, escreveu seu livro “Capoeira Angola” em 1964 e em 1966 foi o representante do Brasil no 1º Festival de Artes Negras em Dakar, na África. O governo baiano, através da Fundação do Patrimônio, o despejou de sua academia em 1973, deixando-o na miséria. Veio a falecer em 13 de Novembro de 1981.

A ORIGEM DOS INSTRUMENTOS

O BERIMBAU É talvez um dos instrumentos musicais mais primitivos de que se tem informação. Considerado instrumento de corda e encontrado em várias culturas do mundo, Em geral, o berimbau é constituído de um pedaço de madeira roliço (pau-pereira, aricanga, beriba) ou qualquer outra madeira flexível, tencionada por um fio de arame de aço bem esticado, que lhe dá a forma de um arco, contém um tipo de caixa de ressonância que, na verdade, é uma cabaça ou um coité cortado no fundo e raspado por dentro para ficar oco e com o som bem puro. No Brasil, o berimbau chegou pelas mãos dos escravos africanos que vieram para cá traficados para serviços pesados nos engenhos, isto por volta do ano de 1538, século XVI, portanto o berimbau também é chamado por outros nomes como urucungo, puíta, quijenge, geguerê, quibundo, umbundo, dentre outros. Estes nomes são derivados de palavras vindas do dialeto Bantu, correspondente aos países de Angola, Moçambique, Congo, Zaire.

ATABAQUEInstrumento de origem árabe, que foi introduzido na África por mercadores que entravam no continente através dos países do norte, como o Egito. É geralmente feito de madeira de lei como o jacarandá, cedro ou mogno cortado em ripas largas e presas umas às outras com arcos de ferro de diferentes diâmetros que, de baixo para cima dão ao instrumento uma forma cônico- cilíndrica, na parte superior, a mais larga, são colocadas "travas" que prendem um pedaço de couro de boi bem curtido e muito bem esticado. É o atabaque que marca o ritmo das batidas do jogo. Juntamente com o pandeiro é ele que acompanha o solo do berimbau.
 PANDEIROInstrumento de percussão, de origem indiana, feito de couro de cabra e madeira, de forma arredondada, foi introduzido no Brasil pelos portugueses, que o usavam para acompanhar as procissões religiosas que faziam. É o som cadenciado do pandeiro que acompanha o som do caxixi do berimbau, dando "molejo" ao som da roda. Ao tocador de pandeiro é permitido executar floreios e viradas para enfeitar a música.
 CAXIXI Instrumento em forma de pequena cesta de vime com alça, usado como chocalho pelo tocador de berimbau, o qual segura a peça com a mão, juntamente com a vaqueta ou baqueta e o dobrão, executando o toque e marcando o ritmo.
 A BAQUETA: É uma vareta de madeira de, aproximadamente 30 a 40 centímetros, tendo uma extremidade mais grossa que a outra. A vareta é normalmente feita de biriba

O DOBRÃO: Usado para auxiliar as variações de toques, geralmente é uma pedra, mas também utilizam moeda.


RECO-RECO: Instrumento de percussão composto de uma espécie de cano de metal, coberto por duas ou três molas de aço, levemente esticadas e, que para produzirem o som são friccionadas por um "palito" comprido de metal, um ferrinho. É usado em rodas de capoeira Angola na Bahia, em outros estados seu uso é eventual

AGOGO: Instrumento de origem africana composto de um pequeno arco, uma alça de metal com um cone metálico em cada uma das pontas, estes cones são de tamanhos diferentes, portanto produzindo sons diferentes que também são produzidos com o auxílio de um ferrinho que é batido nos cones. Também faz parte da "BATERIA" da roda de capoeira Angola na Bahia.

BERIMBAU DE BOCA: Também conhecido como "marimbau" ou "marimba", é um pequeno instrumento de metal arqueado sem cabo, que os escravos usavam preso aos dentes, com os quais faziam soar as pontas do metal. A caixa de ressonância é a própria boca do tocador atualmente o berimbau de boca não é mais usado.

As Palmas de Madeira: É comum ver nas rodas de capoeira, todos os participantes batendo palmas para
acompanhar a música e dar mais calor ao jogo. Normalmente, se bate palmas com as mãos, é o lógico! Mas, você
já pensou num tipo de palmas de madeira que se usa até hoje em muitas rodas de capoeira? É isso mesmo. São pequenos pedaços de tábua bem lixada e fina, porém, de madeira pura, que não racha fácil. Nestes pedaços de
tábua são colocados tiras de couro para que se possa passá-lo por cima das mãos, deixando a parte de tábua embaixo da palma da mão. O efeito sonoro destas palmas de madeira é algo incrível, dá um barulho quase
ensurdecedor na roda e incentiva mais os jogadores e a platéia.

OS TOQUES DE BERIMBAUS DA CAPOEIRA REGIOANL



AMAZONAS - é o toque festivo, usado para saudar mestre visitante de qualquer grupo ou lugares bem como seus alunos. É muito utilizado em eventos de capoeira, batizados etc.

CAVALARIA – É o toque de alerta máximo ao capoeirista. É usado pára avisar sobre algum perigo no jogo, a violência ou alguma discórdia na roda. Na época da escravidão, era usada para avisar aos negros capoeiras da chegada do feitor r, já na república, quando a capoeira foi proibida os capoeiristas usavam este toque para avisar da policia montada, ou da cavalaria.

SANTA MARIA – É o toque usado quando o jogador coloca a navalha no pé ou na mão. Estimula o jogo, sem incitar á violência.

BANGUELA – É o toque mais lento da capoeira regional, utiliza-se quando os ânimos estão acirrados, ou quando o jogo “aperta” para acalmar a roda.

IDALINA – É um toque lento, mas de batida forte, que também é usado para o jogo de faca ou facão.

SÃO BENTO GRANDE DE BIMBA - Como o nome já diz, é o toque de Bimba, é, um tipo de variação diferente que Mestre Bimba criou em cima do toque original de São Bento Grande. É o hino da Capoeira Regional Baiana.

IUNA – É usado apenas para o jogo dos mestres. Neste toque, aluno é platéia, não joga nem bate palmas, jogam apenas os mestres e conta-mestres e algum instrutor, professor ou aluno graduado, se por acaso, o mestre autorizar o aluno pode jogar. No toque de Iúna não existe canto.